quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Javier Bardem e o pé na bunda

Li no fim de semana uma entrevista com o ator Javier Bardem, na qual ele conta que viveu uma experiência que mudou sua vida, aqui, no Brasil. Ele tinha 19 anos e tinha marcado uma viagem para o Rio com sua namorada. Na véspera da viagem, ela deu um baita de um fora nele. Desconsolado, ele veio ao Brasil mesmo assim.

O galã espanhol conta que ficou muito deprimido e ficava sozinho, jogado na areia da praia. Em sua solidão, ele teve crises de ansiedade e pensou que ia morrer tamanho o sofrimento pelo pé na bunda. "Numa das crises, a sensação era tão forte que eu fiquei aterrado. Achei que ia morrer longe de casa. Todo garoto tem seu momento de virar homem. Aquele foi o meu. Percebi que tinha de reagir, retomar minha vida, e foi o que fiz". Profundo e muito, muito verdadeiro.

Pode atirar a primeira pedra quem não sofreu por amor, como diria o samba de Ataulfo Alves. A sensação de tomar um fora é pra lá de péssima. Parece que a gente vai morrer literalmente. Como Javier, quando tomei um fora, tive crises de ansiedade, falta de ar, dor no peito e choro, muito choro. Perder tem sempre um sabor amargo.

A vida da gente  para por um tempo, fica difícil sair da cama, manter a rotina. Se concentrar no trabalho, então, é um baita sacrifício. O melhor a fazer é tomar chá de paciência e contar com o apoio  dos amigos.
O fim de um relacionamento é uma reviravolta na vida de qualquer um. Mesmo quando a decisão for  acertada, nos casos em que terminar é bom para os dois, seguir adiante é seguir com dor. E, claro, quanto maior o tempo do relacionamento, pior a dor na caminhada. O conforto é que, assim como felicidade tem fim, tristeza também tem fim (agora ao contrário do que diz o samba de Vinicius de Moraes). Alternamos momentos de alegria e de tristeza. E, no fim das contas, sofrer nos torna mais maduros.

O pé na bunda nos obriga a agir de alguma forma em nome da própria existência. Para sobreviver, com a auto-estima lá no pé, é preciso se amar muito. O importante é respeitar o tempo de cada um. Tem gente que precisa se recolher, outros que precisam extravasar. Não há uma receita. Cada um deve olhar para dentro e buscar as respostas. A solidão traz auto-conhecimento e, por vezes, é necessária na busca de uma nova companhia. Mas para que um novo amor venha de fato, é preciso fechar os ciclos, terminar as coisas.
E pra fechar com música, chama o Raul: "tenha fé em Deus, tenha fé na Vida, tente outra vez".

Irma

16 comentários:

  1. Nem sempre é fácil assim se abrir pra um novo amor!

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  2. Minha querida,
    Realmente você abordou todos os lados, nada tenho a acrescentar. Dói sim e muito, mas como vc mesma disse não pra sempre, e geralmente se formos abertas à vida e suas lições nos tornamos pessoas melhores!
    Os amigos sim, são essências! E contar com eles e sabê-los presentes nos dá mesmo muita força!
    beijocas,
    Mari

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  3. Já enviei o convite de vocês, viram?

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  4. Irma, obrigada pela visitinha... e pelo post de hoje. Acho que é isso mesmo, temos sempre que tentar outra vez. E se fosse pelo Javier, eu tentava muitas outras. (rs)

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  5. Sabe Irma,
    Tenho enxergado o amor como algo que não se sente só. Que tem que ser correspondido, porque, se não for, não é amor. Pode ser qualquer outra coisa, menos amor.
    Pensando assim, acredito que, se acaba para um, fatalmente, acaba para o outro, mesmo que alguém dessa dupla demore mais a perceber isso.
    Afinal, pra que ficar gastanto um sentimento tão lindo com alguém que não o tem por nós, né?
    Beijo!

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  6. Irma queridona
    Falou muito bem. Um fora é dolorido sim, mas até um pé na bunda faz a gente andar pra frente. Ainda bem.
    Beijo grande
    Kézia

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  7. oi amei o blog, o Javier é um gaton!
    bjk♥

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  8. Irmã
    Sou da opinião de que um pé na bunda serve pra nos empurrar pra frente... claro que ninguém quer passar por isso e qd acontece é como se ficassemos sem chão...
    Adoreiiii o texto.
    Bjim

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  9. num relacionamento que termina, alguem tem que chutar alguem, faz parte.É a vida.
    Um dia a vida nos chuta.
    Maurizio

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  10. Belo texto.
    Talvez essa timidez toda de me aproximar da mulher da minha vida seja exatamente por ter medo de levar um pé na bunda. Próxima vez q tiver chance de falar com ela, lembrarei desse tal Javier Bardem aí.

    Heitor

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  11. Adorei o post, Irma!
    E o importante é continuar tentando, que uma hora sai gol!
    Beijocas!

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  12. Irma, que post show de bola!

    Como já disseram acima, até um pé na bunda nos joga pra frente.

    Ah, mas imagina que beleza encontrar um Javier jogado na areia e desconsolado...haha.

    Um beijão

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  13. Oi Irma,
    a dor de um fora é terrível mesmo, também já tive a minha cota de infelicidade, mas o mesmo homem que tanto me fez sofrer com o fora, agora é o quem me faz feliz.
    Bjs

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  14. Essa foi em minha homenagem né?! Rs
    Digo pelo Javier. Bjs, Carol

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  15. como vc mesmo disse e seguir , seguir em frente seguir um ideal,seguir novos sonhos,seguir e movimento e isso e bom nao da pra ficar parado acomodado e sempre tempo de felicidade

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